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Nossa História

O CONTEXTO

A partir do “boom” do Jiu Jitsu (década de 90) impulsionado pelos ótimos resultados dessa Arte nos confrontos de MMA do UFC (torneio de vale-tudo), os filhos do Professor Dárcio e Dª Célia Lira desejaram dedicar-se ainda mais profundamente ao aprendizado dessa eficiente Arte Marcial. O ensino voltado para a defesa pessoal e as brincadeiras de luta entre amigos sempre estiveram presentes na Família Lira (afinal, o Professor Dárcio era praticante desde 1969), porém, o anseio agora era pela intensificação do treinamento.

Devido ao seu pouco tempo livre em função da árdua jornada de trabalho exercida como Médico Veterinário na Delegacia Federal de Agricultura do Ceará, a primeira opção pensada pelo Professor Dárcio Lira foi dirigir-se às academias de renome da cidade para efetuar a matrícula de seus filhos.

Contudo, a decepção foi instantânea ao visitar certas academias, pois o que se via eram apenas locais de congregação de pessoas arrogantes e desequilibradas, onde o treinamento técnico era realizado de forma totalmente irreverente, sem o mínimo senso de disciplina ou hierarquia, bem como sem nenhum resquício de filosofia marcial oriental. Ao contrário, esses ambientes contribuíam visivelmente para a má formação do caráter de seus praticantes.

Por esses tempos, era constante a circulação de histórias relatando o envolvimento de vários conhecidos “mestres” de Jiu-Jitsu do nosso Estado em cenas de arruaças, acompanhados quase sempre por suas gangues de alunos, flagrados em locais públicos visivelmente embriagados ou até drogados. Muitos destes fatos foram amplamente divulgados nos principais meios de comunicação do nosso Estado. Vale ressaltar que cenas como essas também haviam se tornado comuns em todo o Brasil. Era a moda dos "pittboys" do "Brazilian Jiu Jitsu", que nessa época, de um modo geral, empestavam as academias de Jiu Jitsu do país inteiro.

Do ponto de vista estritamente técnico, outro fator bastante negativo era a excessiva ênfase dada ao aspecto esportivo, sendo deixado de lado o treinamento voltado para a defesa pessoal, quedas e golpes traumáticos. Até o treino sem kimono (Submission)* só viria a tornar-se moda mais a frente, a partir de 1999, com a criação do torneio ADCC pelo Xeque Tahnoon, dos Emirados Árabes.

* Interessante é que ainda em 1997, antes da moda do Submission e do MMA, ouvíamos falar que certos “estrelas” do Estado teciam criticas precisamente porque o treinamento sem kimono e de golpes traumáticos já fazia parte do acervo técnico da Escola Dárcio Lira, enquanto esses tais falavam que Jiu Jitsu de verdade não se treinava sem kimono, e que treinar soco e chute era coisa de Karatê.

A FUNDAÇÃO DO DOJO

Então, precisamente no dia 15 de novembro de 1996 às 15h, motivado pelo interesse e apoio de sua esposa Célia, dos filhos Darlynson, Dheyne e Dâmokles e de vários amigos desejosos de praticar a Arte Suave em um ambiente equilibrado, o Professor Dárcio Lira novamente volta a ministrar aulas de Jiu Jitsu*, reabrindo seu próprio Dojo, onde mais do que a preocupação com o ensino técnico, seria evidenciado o resgate da verdadeira Filosofia Marcial, aquela que visa o aprimoramento interior do Ser Humano.

* O Professor Dárcio Lira já havia iniciado outros Dojo no passado nos Estados onde morou, sempre com a mesma visão filosófica, mas por conta de estar constantemente viajando a trabalho e pela falta de uma escala estática que lhe permitisse conduzir aulas com regularidade, teve que optar por não dar prosseguimento formal a tais trabalhos.

Após a abertura oficial do seu Dojo, o Professor Dárcio fez contato com a Federação de Jiu Jitsu do Ceará - FJJCE, a fim de regularizar sua Escola perante tal entidade, bem como efetuou todos os registros governamentais legais necessários para o seu pleno funcionamento.

Em conversa formal com o então presidente da FJJCE, o Professor Dárcio tratou de expor seus pontos de vista e se dispôs cordialmente a ajudá-lo no que fosse preciso a fim de resgatar a deturpada imagem do Jiu-Jitsu cearense que se fazia na época (fruto da ação destruidora dos “pittboys”), e, muito embora não sentisse reciprocidade de ideias, prosseguiu com a decisão de filiação.

Apesar do clima de discórdia que imperava entre várias equipes representantes do Jiu Jitsu cearense, onde era comum o boicote a eventos de equipes rivais, a Escola Dárcio Lira desde o início participou EM PESO de literalmente todos os eventos para os quais foi convidada, mantendo-se sempre aberta ao intercâmbio técnico e cultural com outras academias, solidarizando-se a ajudar no que fosse possível em termos de organização e valendo ressaltar também, sempre conquistando inúmeros títulos (comprovadamente documentados).

Mesmo tendo a certeza de estar desenvolvendo uma sólida e coerente proposta de ensino marcial, completamente diferenciada da prática que de um modo geral era encontrada no ambiente do BJJ do estado (e do país), isso jamais foi usado como pretexto para arrogância ou separatismo.

Por outro lado, quando a EDLJJ promovia eventos, possivelmente em função do padrão de ordem e disciplina diferenciado, era raríssimo contar com a presença de membros de outras equipes. Isso fez com que anos à frente, pela falta de reciprocidade, o Professor Dárcio deixasse de colocar seus atletas em competições locais e os mandasse para competir apenas em eventos noutros Estados (Bahia, São Paulo, Rio de Janeiro, Rio Grande do Norte, Piauí, etc.).

AS OPOSIÇÕES

Mantendo a parceria com a Associação Belém de Karatê – ASBEKA, do Professor Francisco Bezerra - o “Chicão” -, que havia cedido o seu espaço para a prática do Jiu Jitsu, a recém formada Escola Dárcio Lira de Jiu Jitsu (Tradicional) – EDLJJT* seguia firme em sua nobre proposta de resgate filosófico dos princípios transcendentes do Budô.

* O adjetivo Tradicional foi adotado unicamente com o intuito de chamar a atenção do público externo para a nossa ênfase em resgatar/preservar tradições culturais e filosóficas das Artes Marciais do Oriente, ou seja, para explicitar que o JJ da Escola Dárcio Lira era um método de Jiu Jitsu que valorizava Tradições enquanto em geral estas eram desprezadas.  Num momento onde todo o aspecto transcendente das Artes Marciais Orientais vinha sendo deixado de lado ou era desconhecido pelos professores e praticantes de Brazilian Jiu Jitsu (BJJ), foi preciso deixar claro nossa diferença ideológica.

Portanto, fique registrado que o nosso JJ Tradicional não é uma nova Arte Marcial (dizemos nosso, pois existem inclusive, outros Tradicionais que nada tem a ver com o sistema de ensino da EDLJJ, e na época estes até nos eram desconhecidos), mas sim uma metodologia de ensino diferenciada para o modelo geral de Jiu Jitsu que comumente era encontrado pelo Brasil na época, baseada no resgate dos princípios transcendentes do Budo. 

Devido ao crescente números de TRADICIONAIS surgindo e definindo-se como um Arte Marcial diferente (e não apenas uma metodologia aplicada ao Jiu-Jitsu Japonês), recentemente decidimos deixar de adotar o termo tradicional para evitar confusões ou associações indevidas (2015); até mesmo em função da consolidação de nosso proposta diferenciada ante a opinião pública (todos conhecem nossa diferença metodologica).

Porém, por manter um comportamento diferenciado, em harmonia com as tradições ancestrais e oposto a tudo o que trazia ônus ao crescimento e boa imagem do Jiu-Jitsu no Estado, ou que atrapalhasse o bem-estar de seus praticantes, que o Professor Dárcio e seus alunos tornaram-se muito visados, e ao invés de serem admirados como exemplos, ilogicamente passaram a ser alvo de críticas por grande parte do bolo que compunha o Jiu Jitsu cearense na época.

Na verdade, criticados possivelmente apenas por não participarem das brigas em boates e das habituais “rodinhas de fumo”, ou por inclinarem o tronco pronunciando o “ôss!” em sinal de respeito como os antigos guerreiros faziam, quem sabe por não participarem das corriqueiras fofoquinhas sobre “quem-passou-o-rôdo-em-quem”, também por não entrarem nos tradicionais côros xingativos ao presidente da FJJCE e entre torcidas durante os campeonatos, etc..

Já em oposto, amizade com praticantes e professores de outras Artes Marciais era coisa comum, pois segundo eles, “o pessoal” da Dárcio Lira apesar de ser do Jiu-Jitsu os tratava com respeito e cordialidade; não queriam a todo momento ficar esnobando com arrogância que o Jiu Jitsu era a melhor Arte, também por serem mais disciplinados que a maioria, entre outras coisas.

A verdade é que a real motivação da atitude crítica* por parte daqueles que decidiram tornarem-se opositores, foi sem dúvida alguma a forte e corajosa campanha de esclarecimento que o Professor Dárcio deflagrara, demonstrando na prática qual era a verdadeira essência educacional das Artes Marciais, em oposição a deturpação que o Jiu Jitsu estava sofrendo nas mãos de pessoas desqualificadas, maus-caracteres e mal intencionadas.

* É bom lembrar que as críticas e insultos eram proferidos sempre de forma covarde, às escondidas, e nunca pronunciadas diretamente a um membro da Família Lira, mas sim expressadas a indivíduos que em geral nem eram alunos, que por sua vez as repassavam aos alunos via de regra iniciantes e estes é que às traziam aos líderes do Clã (a velha história do: “ouvi falar...”). Parte das agressões verbais eram feitas sob o anonimato proporcionado pela internet e também aqui nunca ninguém teve a coragem e o mínimo de dignidade de assumir pessoalmente qualquer declaração.

Houveram vezes em que o Professor Dárcio ou algum de seus filhos tiveram que fazer visitas inesperadas aos ditos difamadores quando estes eram descobertos, a fim de ouvir cara a cara os motivos que levavam tais pessoas a tentar lhes denegrir a imagem sem motivos. Em todos os casos, os tais sempre reagiam de forma assustada e negavam veemente qualquer das acusações.

O grande susto acontecia porque essas pessoas estavam acostumadas a se tratarem cotidianamente como moleques, tendo os insultos e ameaças verbais vistos como algo comum no meio dos lutadores. Agora, porém, eles estavam lidando com pessoas que valorizavam o respeito; e que por terem consciência de agirem de forma respeitosa com todos, não aceitariam serem desrespeitados sem motivo.

A FUNDAÇÃO DA FEDERAÇÃO

Analisando outro prisma, não se pode esquecer das constantes reclamações de praticantes e familiares contra a má organização da FJJCE.

Eram pagas taxas de federalização e não se recebiam as carteirinhas, eram prometidas premiações em eventos e não eram dadas, as premiações dadas eram de péssima qualidade, eram constantes as discussões durante as competições onde via-se professores agredindo-se física ou verbalmente da forma mais pejorativa imaginável, entre os competidores também muitas brigas, muitas agressões verbais entre torcidas, arbitragem explicitamente tendenciosa, atletas pesando nus em público, etc.. Enfim, os eventos de um modo geral eram uma baderna.

Nesse ínterim, além das várias tentativas de conversa com o presidente da Federação Cearense - FJJCE, o Professor Dárcio tentou formalmente, por escrito, esclarecer junto ao Presidente da Confederação Brasileira de Jiu Jitsu – CBJJ - toda a degradante situação em que se encontrava o ambiente dessa Arte em nosso Estado, a fim de obter um apoio mais efetivo por parte daquela instituição a seu desejo idealista de ver o Jiu-Jitsu cearense organizado, mas não obteve nenhuma resposta. Com o mesmo objetivo, vários contatos em particular ou em grupo foram feitos com as principais lideranças do Jiu-Jitsu local (nestas reuniões esses líderes sempre concordavam com a visão do Professor Dárcio Lira, diga-se de passagem).

Foi então que em 03 de junho de 1999, após inúmeras tentativas frustradas de organizar o Jiu Jitsu cearense através da FJJCE e também ante o descaso do Presidente da CBJJ em relação à desarmonia que imperava no Ceará, que o Professor Dárcio com um já então grande número de alunos e admiradores, organizou a fundação da Federação de Jiu Jitsu Tradicional do Estado do Ceará – FJJTEC, que tinha como meta idealística expandir a mesma visão de ordem, respeito e valorização das tradições orientais que vinha sendo feita na Escola Dárcio Lira, para todas as demais academias do Estado. O clima de tensão chegara ao limite. Já estava mais do que claro que não valia à pena tentar harmonizar a Arte Suave dentro do ambiente da FJJCE.*

* Foram cerca de três anos de constantes e incansáveis tentativas de diálogo em vão antes que o professor Dárcio voluntariamente decidisse se afastar da FJJCE e fundasse a FJJTEC.

Mantendo o afã de aglutinar as demais entidades ao ideal de reorganização, todas as etapas da ideia de criação e da fundação propriamente dita da FJJTEC foram previamente comunicadas, inclusive por escrito, aos vários líderes de equipes do nosso Estado, na certeza de contar com o apoio de vários dos também muito insatisfeitos com a desorganização da FJJCE e que inclusive incentivaram abertamente a fundação da FJJTEC.**

** A prova desse processo ter sido lento e totalmente transparente foi que a Assembleia Geral de Fundação da FJJTEC, contou com a presença de 67 participantes, com todas as devidas assinaturas registradas no livro de Ata de Fundação da mesma, onde foi dado a todos o direito de manifestarem suas opiniões livremente a qualquer momento (fato este com certeza inédito no nosso Brasil, diante de tantas Federações esportivas que são fundadas por grupinhos de 3 ou 4 pessoas e “administradas” eternamente por esses). A própria diretoria foi eleita apenas no dia, através da votação de todos. Não havia nada pré-estabelecido.

Porém, de forma “extra-oficial”, foi dado a saber na época que praticamente todos concordavam com a ideia (diversos até elogiaram publicamente a coragem da iniciativa), mas que não queriam pagar o preço de enfrentar a “ira” da CBJJ, ou seja, tinham medo de serem barrados em competições lá fora como punição por apoiarem o racha com a federação estadual oficial ligada a CBJJ e de não terem mais suas Faixas Pretas reconhecidas por tal entidade (pois nessa época, muito mais que hoje, havia uma subserviência muito forte para com as equipes do Sudeste do país).* Então esses se mantiveram “em cima do muro”, esperando para ver qual seria o destino da nova Federação. **

* Na época era praticamente “forçada” a filiação a alguma equipe de renome do Sudeste para que a academia local pudesse ser “reconhecida/aceita” no meio do Jiu Jitsu cearense (coisa que o Prof. Dárcio discordava). Era comum que professores daqui não representassem seu próprio nome ou de seus mestres locais (negando as próprias raízes), obrigando-se a pagarem pelo uso de marca (franquia) das entidades de fora, também na intenção de adquirir mais alunos pelo prestígio do nome de tais academias. Grosseiramente falando: quem não representava algum professor carioca, não era “considerado”.

** Atualmente existem cerca de 4 ou 5 (possivelmente mais) federações e associações esportivas no Estado do Ceará que trabalham com eventos de Jiu Jitsu, enquanto a FJJCE encontra-se desativada há mais de 5 anos. Já a nível nacional, existem pelo menos 4 confederações/ligas atuando além da CBJJ (informações de fevereiro de 2011).

Orgulha-nos poder ressaltar que a fundação da FJJTEC recebeu total apoio do ilustre Grão-Mestre José Gomes (Irmão do saudoso lutador Ivan Gomes), que tem como um de seus patronos o renomado Grão-Mestre Francisco Sá, além de ter recebido incentivo de inúmeros professores de outras modalidades que representando suas instituições, se diziam indignados com as baixarias das academias de Jiu Jitsu de Fortaleza.

Desde então a EDLJJ e a FJJTEC* tem sido referencial dentro do meio do Jiu Jitsu cearense, podendo certamente estender essa qualificação para todo o planeta em se tratando de excelência no correto ensino de Artes Marciais.

* O conjunto de associações, clubes e academias que compõe a Escola Dárcio Lira – EDLJJ - são filiadas a Federação de Jiu Jitsu Tradicional do Estado do Ceará – FJJTEC -; esta, por sua vez, é filiada a Federación Internacional de Artes Marciales – FIDAM (entidade internacional com sede central na Espanha).

Estamos no seleto grupo das pouquíssimas entidades do mundo marcial, digo do meio das lutas, que tem conseguido resultados marcantes dentro do elevado objetivo de formar muito mais que só atletas ou lutadores, mas sim verdadeiros cidadãos de bem, verdadeiros guerreiros da luz.

O tempo provou que EDLJJ não surgiu apenas para dividir ou repetir chavões, mas que genuinamente existia um ideal sincero e diferenciado em sua criação*. Hoje o nome da Escola Dárcio Lira se tornou tradicional em nosso Estado e mesmo em outros países, sendo reconhecido como sinônimo de trabalho sério e competência, de qualidade técnica e boa educação, através do seu trabalho PIONEIRO de resgate da cultura oriental (nunca antes visto no Brasil).

* Temos visto muitos charlatões alardearem chavões (formamos cidadãos, educamos pelo esporte, somos contra drogas, temos filosofia, queremos organizar o esporte etc.) em websites e frente câmeras, mas que na prática agem em completa oposição ao que falam, ou pecam pela omissão quanto a punir o mau comportamento de seus alunos. Por isso pesquise bastante antes de ingressar em uma academia. Só a comprovação “in loco” e pesquisa sincera pode mostrar a realidade. Se o local onde você pretende treinar for realmente sadio e adequado, não deverá haver receio em levar seus filhos, pais ou cônjuge para frequentá-lo.

A DEUS TODA A GLÓRIA

Comissão Editorial.

P.S: Esse texto é apenas um relatado de fatos que fizeram parte da nossa história, para que as pessoas de fora entendam pelo que passamos e como chegamos até aqui. Omiti-los seria injusto conosco mesmo, pois negaria a nobreza de nossa luta e deixaria em aberto análises incompletas a respeito de quem somos.

Muito embora em alguns momentos ele possa soar contundente em suas descrições, não temos a intenção de agredir ninguém pessoalmente, por isso não foram citados nomes de pessoas físicas e também procuramos durante todo o texto manter um parâmetro de abordagem geral, com isso possibilitando margem para que exceções que não se encaixam no que foi citado. Que cada um analise com sinceridade sua própria consciência.